terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Capítulo 10


- Oi, Tatá. - minha mãe abriu um sorriso, indo abraçá-la. Os outros a cumprimentaram da mesma forma, enquanto eu olhava-a sem reação. 
- Oi, anãzinha! - Marquinhos também abraçou-a. 
- Oi, seu chato. - riu, enquanto ele bagunçava seu cabelo. - Oi, Luan. - me olhou cúmplice.
- Oi, Tanara. - a olhei da mesma forma e minha mãe me chamou, falando algo a ver com o quarto que ficaríamos. Vi Cristina, Eduarda, Alice e minha filha. Cumprimentei minha afilhada, minha ex cunhada e Cris, que me deu um abraço apertado. 

Dona Marizete conversava com Érika e ao olhar pro lado, vi alguém muito especial.

- Luan! Meu filho! - Dona Fátima estava ali, e abriu os braços para me abraçar. Eu a abracei, feliz com aquela surpresa.
- Como a senhora tá? - perguntei.
- Tô bem e você? 
- Tô ótimo. Cê conhece minha mãe? Ô mãe, ô a Dona Fátima, famosa avó da Tatá. - chamei Xumba, que veio sorridente.
- Eu já ia apresentar mamãe! - Érika riu, enquanto as duas se cumprimentaram. Pareceram se dar bem e eu fiquei bem com aquilo. Dona Fátima se tornou muito especial pra mim, eu realmente a adorava. Chamei Laurinha e a apresentei também, deixando Dona Fátima encantada com minha filha. Conversamos sobre a divisão dos quartos, propósito que fez minha mãe me tirar de perto de Tatá. Eu não prestei muita atenção, só concordei. Qualquer quarto ali era confortável! 

Laura ficaria com as crianças e eu dormiria com o Marquinhos. Tinha duas camas de solteiro, claro. Meu pai entrou e também conheceu Dona Fátima e nessa hora, todas as malas já estavam nos quartos. Estava com a impressão de que Érika e Marizete estavam tentando me manter longe da Tatá e fiquei complemente desentendido. O que elas queriam com aquilo? Nas oportunidades que ficaríamos a sós, elas chegavam, nos deixando totalmente sem graças e incapazes de conversar. 

Na área externa já tinha carne e muita cerveja, enquanto as três crianças brincavam na sala com a supervisão da Dona Fátima. 

- Que foi? - Marquinhos perguntou, se afastando da rodinha em que finalmente minha mãe e Érika estavam sem olhar para nós dois, só porque Tatá estava afastada conversando com Cristina.
- Quero conversar com a Tatá e elas não deixam.
- Elas quem?
- Dona Marizete e Dona Érika. - suspirei triste. 
- Como assim não deixam, cara? 
- Sempre que eu tento, quando finalmente a Tatá está sozinha, uma das duas aparece. Meio óbvio, você não acha? Queria aproveitar que a Laura está entretida, cara. Mas desse jeito...
- Você acha que elas tão fazendo de propósito?
- Tenho certeza. 
- Mas as duas sempre apoiaram vocês.
- Mas agora é diferente. A Tatá tem o Felipe, e ele não está aqui.
- Será que é por medo? 
- Com certeza. Tá chato, vei. A Tatá tá muito sem graça.
- Pelo visto você também! Mas vem cá, vamos dar um olé nas coroas. 
- Ou cara, fala direito. - ri, negando. 
- Elas tão entretidas, a Tatá tá ali com a Cris... Vem! - me chamou e eu saí silencioso, sem com que elas percebessem. 
- Viu, deu certo. - sussurrou, enquanto nós andávamos e eu olhava pra trás. Nos aproximamos das duas, e eu fiquei totalmente sem jeito.
- Oi, anãzinhas. 
- Vai se foder, Marquinhos. - Tatá se defendeu, rindo.
- Vocês dois que são grandes demais. - Cristina deu de ombros e eu ri fraco, olhando pra minha menina. 
- Cris, vamos ali comigo? - Marquinhos pediu, a fazendo olhar desentendida.
- Marquinhos quer flashback? - Tatá olhou má intencionada e os dois mostraram os dedos para ela. 
- Quem quer é outra pessoa. - meu amigo deu um tapa amigavelmente nas minhas costas. 
- Cala a boca, cara. - o repreendi. 
- Eu já entendi! - Cristina levantou. - Há tempos que vocês tentam e tadinhos, as mamães não deixam. - nos zoou, fazendo Tatá mostrar a língua.
- Deixa eles, Cris. Não aguento ver os dois tão desconsolados, longe um do outro. Eu com certeza vou pro céu! - Marquinhos zoou por fim, saindo em seguida e levando Cristina junto.
- Oi. - sentei no lugar da sua amiga.
- Oi. - sorriu pra mim.
- Desculpa pela a atitude da sua Tia Zete, eu não sei o que tá acontecendo.
- Eu acho que sei, Luan. - sorriu de lado. - Minha mãe tá estranha comigo, desde que saímos de casa. 
- Ela falou alguma coisa? Ela sabe de alguma coisa?
- Não! Bom, eu acho que não... Só contei pra Cris.
- E eu pro Marquinhos. Aliás, pra Marina também. Mas a Marina é confiável, juro.
- Eu sei... - encarou o chão. Que momento perfeito para um clima chato se formar. Justamente quando conseguimos um tempo a sós! 
- Que foi? - perguntei, um pouco nervoso. 
- Nada. - me olhou doce. - Só não tô gostando do que elas estão fazendo. Um pouco de medo também...
- Não fica assim. - alisei sua coxa, me permitindo sorrir pequeno, causando um sorriso nela também. - Eu vou dar um jeito de cortar elas. 
- Elas têm medo, Luan. Elas são as que mais sabem do nosso passado. 
- Isso não dá a elas o direito de fazer o que estão fazendo. Nos constrangendo! Pelo menos ninguém está percebendo. 
- Precisamos convence-las que não há perigo, como elas pensam.
- Precisamos mesmo. 
- E só vamos conseguir isso nos afastando... Acho melhor a gente não se falar nessa viagem. - sorriu triste. 
- Não, não! Não fala isso, Tatá. Eu não quero.
- E você acha que eu quero? Mas olha a situação que nos metemos, Luan. - desviou o olhar.
- Ei... Confia em mim! - alisei seu rosto. - Eu vou dar um jeito. - tentei passar confiar confiança no meu olhar.
- Elas não vão parar de pegar no nosso pé.
- Vão sim! Confia em mim.
- Luan, sério, são só poucos dias... Da pra gente ficar longe. Afinal, você passou vários sem me procurar, não vai fazer diferença. - deu de ombros, me fazendo rir. 
- Que foi? Sentiu minha falta? - tirei seus cabelos dos ombros. 
- Claro que não, seu convencido. - tirou minha mão, emburrada. 
- Só eu tenho que te procurar? Você tem meu número, pode ligar sempre, assumindo que está morrendo de saudades. - sussurrei no seu ouvido, vendo-a ficar nervosa e gaguejar, me fazendo rir.
- Você não vale nada, sabia? - me empurrou de leve.
- Você usa sua própria traição pra se livrar do seu noivo e eu que não presto?
- Do que você tá falando? 
- Não pode beijar ele por um machucado na boca que eu deixei... 
- Luan! Quem te contou isso? - arregalou os olhos. 
- O próprio. Esqueceu que nós somos melhores amigos e que ele me conta tudo? - sorri arteiro.
- Seu falsiane! - me empurrou, boquiaberta, enquanto eu ria. - Meu Deus, Luan. A falsidade vem de família! 
- Ou, não. De família não. - disse sério. - Eu e Bruna somos diferentes, você sabe. Ela separou a gente por inveja, ciúmes... Foi baixa por nada. E eu tô fazendo isso por você, o Felipe que entrou no meu caminho. 
- Eu também entrei no caminho da Bruna e ela fez o que fez com a gente. Não está achando parecido?
- Se você insistir nisso, não precisa mais olhar na minha cara. - ia levantar, mas ela me segurou.
- Espera, Luan. Desculpa. Só me assustei, você nunca foi assim. 
- Você que inventa isso e eu que sou falso, por que tô jogando seu jogo e fingindo pro Felipe que nós estamos amigos e está tudo normal?
- Desculpa... - me olhou triste. - Desculpa, tá legal? Mas se for pra ficar passando na minha cara que eu tô sendo fingida, falsa, infiel... É melhor a gente parar por aqui. 
- Não, não quis dizer isso. Eu aceitei, não aceitei? - falei, vendo-a respirar fundo.
- Isso é errado, Luan. Estamos nos afundando cada vez mais...
- Para, nós decidimos isso. Para de ser insegura! 
- Eu não consigo.
- Você decidiu isso, confia mais em você mesma. Seja mais segura, Tatá. Isso só vai atrapalhar a gente! 
- Eu não consigo.
- Eu vou te ajudar. Confia em mim! Vai dá tudo certo. - peguei no seu rosto, fazendo nossos olhares se cruzarem.
- Eu confio. Você sabe que você é a pessoa que eu mais confio. - sorriu pequeno, me olhando. Sorri também, mais aliviado. Ia aproximar nossos rostos, quando ela se afastou imediatamente.
- O que foi?
- Elas estão vindo, Luan. - falou envergonhada. 
- Merda! - resmunguei. - Olha, eu tive uma ideia... Confia em mim. - repeti e ela assentiu, desviando o olhar para as duas, que eu também já sentia próximas. 
- Independentemente do que a gente viveu, quero que você seja feliz. Só isso! Felipe é meu amigo, e você foi muito especial pra mim. - falei um pouco mais alto e ela me olhou desentendida.
- Ele vai te fazer feliz. Bom, que pena que não demos certo... Passado, não é?! Vamos deixar pra trás!
- O que você tá fazendo? - sussurrou, espantada.
- Podemos ser amigos? - falei mais alto ainda, tendo a certeza que elas estavam nos ouvindo. Olhei-a pedindo para ela confirmar e assim ela fez, mesmo sem entender.
- Claro que sim, Luan. - sorriu e eu a puxei para um abraço. 
- O que você tá fazendo? - sussurrou.
- Elas voltaram? - perguntei no mesmo tom.
- Voltaram. - riu. - O que você fez, seu louco?
- Elas ouviram nossa conversa! Agora vão pensar que nós vamos ser apenas bons amigos. - a soltei, sorrindo.
- Sensacional. - sorriu de orelha a orelha, assustada com a minha ideia genial. 
- Mandei bem, não é?
- Muito bem. Olha, suas participações na globo foram umas bostas, mas agora você se superou. Quem é Wagner Moura perto de você? - brincou, me fazendo rir.
- Sua besta. Tá vendo o que eu faço pela gente?
- Para, não me deixa sem graça.
- Queria te beijar agora, o que a gente faz? - sorri fazendo charme. 
- Nada! - levantou. - Não vamos estragar sua ideia de genial, senhor gênio! - sorriu. 
- Eu vou dar um jeito de passarmos a noite juntos. 
- Luan, não inventa. 
- Precisamos aproveitar que o Felipe não está aqui. Aliás, por que ele não veio? Ele estava todo animado, achando que sairia da seca. - fiz careta, vendo ficar vermelha.
- Luan Rafael! - cruzou os braços.
- Ele que falou, uai. Que feio, Tatá. O coitado tá se acabando na mão!
- Nós brigamos, deve ter sido por isso que ele não veio. 
- Acho que não.
- Não sei, ele falou pra minha mãe que era algo com o trabalho. 
- Acho isso mais provável!
- Deixa eu ir, vai. Antes que elas estranhem essa nossa amizade. 
- Linda. - sussurrei, fazendo-a sair rindo. 

Voltei para onde estavam bebendo e minha mãe parecia mais aliviada. Fingi não entender e entrei no papo rapidamente, comendo um pedaço de carne. Ainda era cedo e começaram a falar sobre ir numa cachoeira que tinha um pouco longe dali. As crianças se aproximaram de nós e quando meu pai perguntou, todas comemoraram. Todos toparam, menos Tanara que não estava ali. Deixa ela quietinha, era melhor. Já decidido que iríamos, Laura foi para o quarto toda empolgada para mostrar os biquínis que trouxe para Alice e para Eduarda. Só as mulheres quiseram trocar de roupa e prepararam algumas coisas para levar. Eu estava quieto, mas feliz. Pensava em como passaria a noite com minha menina; mesmo correndo riscos, não podíamos desperdiçar essa oportunidade.  

Fomos para a tal cachoeira e Tatá estava simples e linda como sempre. Escolheu um short e uma blusinha leve. Brincava com as crianças, enquanto Marquinhos, Cristina e eu tomávamos banho naquela água deliciosa. Eu a observava, tendo pensamentos nada puros. Ela estava linda, não estou exagerando. O sorriso formado no seu rosto ao brincar com a minha filha me deixava cada vez mais apaixonado. Laura quis entrar também e eu a segurei, já que ela afirmava ter medo. Duda era mais solta e destemida, não demonstrava nenhum tipo de medo. Alice ficou nos braços da 'avó', Érika. Marquinhos questionou o porquê da Tatá não entrar e ela timidamente disse que tinha medo. Puta que pariu. Queria gritar que eu a protegeria, a seguraria, mas me controlei. Foquei na minha filha encantada com tudo, afastando meus pensamentos nada santos com Tanara.

Cachoeira em si me lembrava algo e eu não recordava totalmente. Esforcei minha memória e quando lembrei, não disfarcei a felicidade. Claro! Óbvio! Tinha a ver com minha Tatá, tinha a ver com a gente. Como eu pude esquecer das nossas lunarisses? Cachoeira estava entre as sete safadezas que nós planejamos. Ela que havia sugerido! Nós não concluímos, infelizmente todos nossos planos foram estragados. 

Isso era um sinal. Claro! Era fazendo uma das nossas lunarisses que nós passaríamos a noite juntos. Perfeito, Luan. Você excepcionalmente hoje está tendo ideias maravilhosas. 

Estávamos voltando para casa e no carro, minha mãe tocou no assunto, já que Laura havia ido em outro carro com Alice e Eduarda. 

- Será que vem gente de noite nessa cachoeira? Bonita, né?! - comentei, fingindo desinteresse. 
- É sim, é linda. - Cristina respondeu. 
- Então você e a Tatá resolveram ser amigos, Luanzinho? - minha mãe falou, com o apelido de sempre. Sorri. Minha ideia deu certo. 
- Sim, Xumba. Por quê?
- Lizete tava com medo que vocês se aproximassem. - meu pai se pronunciou. - Ela e a Érika. 
- Por isso estavam afastando a gente? Nos fazendo aquela vergonha?
- Filho, era por precaução. A Tatá é noiva de um amigo seu, vocês precisam deixar essa história no passado.
- Relaxa, mãe. Nós vamos ser só amigos, apenas ex namorados. Quero que eles sejam felizes. - falei convincente, já que ela me lançou um sorriso aliviado. Marquinhos me olhou espantado, igualmente Cristina.
- Que bom, Luanzinho. É o melhor que você faz! 
- Eu sei que sim, Xumba. - sorri, pensando na minha noite que eu teria. 

Voltamos para casa e Hugo e meu pai voltaram a beber, enquanto minha mãe banhava Laura. Eu parei na cerveja, queria estar totalmente sóbrio para mais tarde. Foi anoitecendo e Laura veio me dar um beijo de boa noite, afirmando que antes de dormir assistiria um filme e Tatá faria a pipoca. Minha filha estava feliz, isso me deixava melhor ainda. Todos foram indo para os seus quartos e eu e Marquinhos fizemos o mesmo. 

- Que história era aquela de amizade com a Tatá, boi? Cê tava falando sério?
- Claro que não, né?! Mas é que foi a única forma de afastar a Xumba e a Érika. Vou ver minha linda daqui a pouco.
- Cara, você é muito corajoso. Não tem medo? Está todo mudo aqui, Luan. Seu pai te mata! Érika mata a Tatá... Você vai mesmo expor vocês à esse risco?
- Não vou passar uma noite ouvindo seus roncos por medo, cara. Eu preciso dela.
- Você é louco. E a Tatá é mais louca ainda, de aceitar suas loucuras. 
- Quando eu entro em um jogo, boi, eu entro pra ganhar. Vou tomar banho, caprichar para ela.
- Cris tá dormindo com ela, Luan. Vocês não vão poder fazer nada!
- E quem disse que nossa noite vai ser no quarto dela?
- Tá legal, eu não quero nem ver. 
- Fica de boa, Marquinhos. - ri, entrando no banheiro. 

Tomei um banho relaxado, pensando nos mínimos detalhes da nossa deliciosa noite. Nada podia dar errado! 

Saí do banho e Marquinhos já dormia. Deveria estar cansado, ri dele. Antes de escolher uma roupa, peguei meu celular e enviei uma mensagem para minha encalhada não mais encalhada, infelizmente.

"Passarei aí daqui a meia hora. Estou avisando para você não reclamar de uma surpresa." 

Larguei o celular e escolhi uma roupa simples. Uma camisa e uma bermuda. Deixei meu cabelo livre de toucas ou bonés e exagerei no perfume. Revezava meu olhar entre o espelho e as horas do meu celular, cronometrando os trinta minutos estimados por mim mesmo. 

Minutos passados, bati na sua porta, olhando a todo momento se ainda havia alguém acordado. Quem abriu foi Cristina, arregalando os olhos ao me ver. 

- Luan? - questionou.
- Oi, Cris. Então, cadê a Tatá? - falei com naturalidade, a deixando de olhos arregalados. 
- Ela tá ali. - disse surpresa. - Vocês vão conversar? Agora?
- Vamos dar uma volta. - sorri singelo. 
- Entra. - me deu espaço, mas eu neguei. 
- Não quero entrar, estou com pressa. Cadê ela? - perguntei mais uma vez, recebendo em seguida a melhor visão da minha vida. Minha menina apareceu, linda como nunca.

- Oi, Luan. - sorriu meiga. Ela não era meiga, mas eu juro, ela estava meiga e provocante ao mesmo tempo. Contrariando tudo que eu sempre achei dela, ela estava mulher. Uma linda mulher. 
- Oi... - a olhei dos pés à cabeça. - Então, preparei uma surpresa pra você.
- Ok, tô sobrando! - Cristina saiu, levantando os braços em rendição.
- Vamos? - sorri, entendendo minha mão. Me olhou receosa, mas logo sua expressão hesitante deu espaço a um lindo sorriso.
- Vamos. - segurou minha mão. 
- Juízo vocês dois, por favor! - Cristina pediu, no mínimo preocupada. Ora, preocupada com o quê? Ignorei, envolvendo minha...mulher nos braços e saindo com ela dali. Não ousei lhe roubar sequer um selinho, o lugar não era apropriado. Ela me olhava curiosa, mas não falava nada. Somente quando nos aproximamos do carro, ela se pronunciou pela primeira vez:

- Pra onde você vai me levar, Luan? 
- É segredo. 
- Está tarde, seu louco. Não podemos sair! Eu estou de camisola, Luan. 
- Ei, relaxe meu amor. - segurei seu rosto, selando nossos lábios pela primeira vez naquele dia. - Confie em mim. 
- Mais uma vez?
- Mais uma vez. - beijei seu olho. 
- Me dá uma dica, Luan. - falou manhosa, me causando uma leve gargalhada. 
- Tudo bem, tudo bem... Só porque você está incrivelmente linda. - olhei-a nos olhos. - Você lembra do dia em quê planejamos coisas que deveríamos fazer? 
- Nossas lunarisses...? - deixou escapar um sorriso, ao relembrar.
- Exatamente. Vamos cumprir uma delas. Sua curiosidade diminuiu, agora?
- Não! - exclamou mais alto, boquiaberta. Eu abri a porta e pedi que ela entrasse. Ela obedeceu, sob minhas risadas. A partir daí ela começou a fazer milhares de perguntas e eu somente ria do seu jeitinho, dirigindo até a cachoeira que visitamos mais cedo. 

Parei o carro bem próximo da margem da pequena lagoa que havia na queda da cachoeira, tão ansioso que tremia todo. Algumas luzes estavam acesas, e a noite era de lua cheia, então a iluminação era boa, mas liguei os faróis do carro apontando pra água. 
-  Luan… - Tatá me olhou meio apreensiva, tinha sido pega de surpresa. 
Não respondi, apenas saí do carro e abri a porta pra ela. 
- Pode ter uma cobra aqui! - ela falou enquanto peguei na sua mão. 
- Você está comigo, não está?
Puxei ela até a ponta da margem e então parei, olhando primeiramente seu rosto. A lua iluminava ele, lindamente. Não tinha maquiagem, apenas um batom vermelho fraco cobria seus lábios e seus cabelos estavam soltos. Ela me olhava doce, mas apreensiva. Concentrei toda minha atenção nos seus lábios, e passei a mão por eles, enquanto seus olhos não saiam de mim. Ela abriu levemente os lábios e a ponta dos meus dedos ficou entre eles, tirando quase todo seu batom. Então Tanara acabou comigo quando fez um bico juntando os lábios e chupou a ponta do meu dedo levemente. 

Eu queria dizer o quanto ela era linda, o quanto era minha, mas não consegui. Apenas tirei sua cabelos dos ombros e passei eles delicadamente pra trás, agora acariciando seu pescoço levemente com as mãos. Encantado. 

Então, fixei o olhar nos seus seios. Sua camisola preta era de alcinha, de tecido fino, leve, e cobria os seios, descendo até o limite da polpa da bunda. Era bem curtinha, é um pecado. Minha Tanara estava de covardia. Me aproximei enquanto ela olhava cada movimento e passei as mãos pelas alças, que deixavam o sutiã levemente aparecendo. Voltei a me afastar e olhei o conjunto todo, segurando sua mão. Tentava me recordar de alguma vez que havia visto ela tão gostosa. A camisola, levemente transparente, a luz da lua, marcava sua cintura, e valorizava seus seios. 

Estava embriagado por aquela cena, e podia jurar que meus olhos demonstravam isso, só pelo olhar que ela tinha sobre mim. Fiquei tentando me decidir se tiraria aquele tecido de seu corpo de mulher, hipnotizado. Ergui suas mãos e fiz minha menina girar lentamente, me possibilitando ver sua linda bunda agora um pouco exposta pelo movimento. 
Assim voltou a posição inicial, ela abriu os olhos e mexeu os lábios para falar, mas eu evitei, colocando meu dedo sobre sua boca novamente. E então, quando menos esperei, eu ajoelhei aos seus pés. 
Minha menina suspirou pesado, com certeza já excitada, quando passei as mãos pela sua perna bem devagar. Uma de cada vez, com firmeza e ao mesmo tempo, delicadeza, e em seguida, passei a beija-las, selinho por selinho, até quase sua intimidade. 

- Você tem alguma ideia do quanto estou feliz agora? - perguntei, dando toda atenção merecida à seu belo par de coxas com meus beijos molhados. 

Sentia seu corpo tremer nas minhas mãos e olhei pra cima, vendo seus olhos brilhando de excitação. 

Num único movimento, levantei puxando pra cima comigo a camisola. E fiquei ainda mais embriagado. Seus seios proporcionais haviam ficado perfeitos naquele conjunto de renda. Eu era louco por eles. Por sua vez, A calcinha pequena, quase minúscula, me dava um ar de mistério. Eu não gostei demais, queria ela bem longe de mim, então abracei seu corpo e despi primeiro seus seios, com rapidez, e depois, abaixei, jogando sua calcinha pra bem longe, mesmo caminho da outra peça. Não conseguia nem pensar direito de tanto desejo, então eu mesmo arranquei minha camiseta e escorreguei a bermuda junto com a cueca. 

Tatá me olhava sorrindo, então eu abri um sorriso maior que o dela e peguei em sua mão lhe puxando pra água, bem devagar. Entrei primeiro que ela, pisando e guiando seus passos de forma segura, e ela veio, sem receio. As encostas eram de pedra, então tomei o máximo de cuidado com a minha menina, numa mais nova visão de mulher. 

Parei a medida que nossos corpos ficaram totalmente submersos e puxei ela bem pra perto de mim, colando nossos corpos. E enfim, depois da troca de olharem mais intensa, nos beijamos, com urgência, paixão, desejo. Nossas línguas dançavam, juntas, não conseguindo ficar afastadas. Minhas mãos passavam por todo seu corpo e pararam então na sua bunda, e puxei, juntando nossas intimidades, o que fez Tatá tremer e meu membro latejar. Acho que nunca havia ficado tão excitado em toda a minha vida. 

- Luan… - Tatá pediu suplicante em meu ouvido. 
Levei minhas mãos até sua nuca, enlacei os cabelos e puxei com firmeza, mas não força; levei sua cabeça pra água, deixando somente o rosto pra fora. 

Seu pescoço ficou totalmente exposto pra mim e levei minha boca, chupando com calma, sem deixar marcas. 
- Por favor. - ela pediu baixinho, quase no meu ouvido. 
Soltei seus cabelos e sua mão, pronto pra sair da água, mas ela parou. 
- Aqui. 
- Pode te machucar, vem. 
Ela cedeu e me seguiu, então, assim que avistei uma pedra perto de nós, já sai e pegando seu corpo com a maior facilidade do mundo, tirei ela da água e a acomodei sobre a pedra. 
O olhar dela era urgente, então desci do seu pescoço beijando uma trilha até onde ela queria. Abri bem suas pernas e apreciei aquela cena. Ela era tão minha! 

Levei o dedo indicador até seu clitoris. Já estava inchado, do jeitinho que eu queria. Tanara tremeu e resmungou quando eu desci o dedo por toda a sua intimidade, diversas vezes. Ela já estava bem molhada, pronta, mas eu queria provocar mais um pouco, então levei meus dedos ao clitoris novamente. Passei a fazer movimentos circulares lentamente ao redor deles. O peito dela subia e descia com rapidez, e sua respiração estava totalmente diferente. Ela passou a gemer baixinho e apertar a minha mão que segurava um de seus seios. 

- Ninguém mais pode fazer isso com você, você é minha. - falei rouco, com uma voz intimidadora. 

Mudei o movimento, dessa vez indo de um lado pro outro. Usei meus lábios nos seus seios, me debruçando sobre ela e beijando eles lentamente. Suguei os bicos e quando percebi que ela iria gozar, parei. 
- Não Luan… - ela disse com dificuldade, me olhando suplicante. Era excitante demais ter seu corpo ali nos meus braços. 

Num movimentos rápido, fiquei sobre ela, e antes que pudesse lhe penetrar, ela tentou levar sua mão de volta ao local que eu estava. Peguei com força e ergui seu braço pra cima da cabeça. 
- Quem deixou você fazer isso, hein? - falei bem perto da sua boca sem tirar os olhos dos seus. 
Me afastei um pouco e me ajeitei no meio de suas pernas, penetrando lentamente enquanto olhava meu menor invadir seu corpo e continuei com os movimentos no clitoris bem devagar. Tanara soltou um lindo gemido, mais alto dessa vez, assim que senti meu membro todo dentro dela. Comecei a estocar lentamente. 
Olhei seu rosto e ela mordia os lábios a fim de espancar os gemidos, mas eu levei minha mão a eles e abri. 
- Geme, vai… - disse embriagado do desejo. - Quero ouvir.

Ela soltou o primeiro, longo e constante, baixo e a medida que entrava e saía do seu corpo ele foi aumentando. Tomei seus lábios dessa vez num beijo e levei a mão aos seios. Ela começou a respirar com mais dificuldade e então eu sai dela sem avisar. Antes mesmo dela protestar, eu me posicionei atrás de seu corpo, abraçando ela com uma mão enquanto me apoiava na outra. E então soltei e peguei sua perna, erguendo. De ladinho, ela entendeu o recado e com as mãos urgentes, procurou meu membro e escorregou de novo pra dentro dela mesmo. Voltei a estocar com mais força e levei minha boca até sua orelha, mordendo.
Ela. Era. Muito. Apertada. 
Tão deliciosa. Excitante, minha. 
Vi novamente suas mãos deslizarem pro clitoris e sabia que se ela fizesse isso, iria gozar.
- Não. - disse firme entre dentes. - Eu não deixei você colocar a mão aí, Tanara. 

Ela estava tão excitada, que não recuou, mas seguiu em frente. Começou movimentos rápidos e eu soltei minha mão da sua perna e peguei a dela.
- Você não vai gozar agora. 
Ela voltou a concentrar suas forças em gemer, lindamente, enquanto eu segurava suas mãos pro alto junto com a linda perna. 
Minhas estocadas ficaram mais fortes e não estava mais aguentando, então aumentei a velocidade e senti o corpo dela tremer. 
- Comigo? - perguntei e ela só afirmou com a cabeça. 
Aumentei os movimentos e soltei suas pernas, levando minhas mãos ao clitoris dela. Estimulei ele assim que senti meu clímax chegar, ela tremeu toda nos meus braços. 

Gememos juntos, ela bem mais alto que eu, que era acostumando a não fazer muito barulho.

Eu estava no céu.

Aquilo foi incrível.

Fui acalmando os movimentos lentamente, até cessar todos, mas não permiti que ela saísse dos meus braços. 

Seus olhos estavam fechados e ela respirava lentamente, ainda sentindo as sensações. Eu não estava atras, mas me lembrei de deslizar pra fora dela, pra não machucar. 
- Tatá? - chamei sem muito fôlego. - Você está bem? - me esforcei pra perguntar. 
- Acho que… 
- Acha? - me agitei, olhando ela e tentando achar indícios de algo errado.
Ela abriu os olhos devagar e sorriu, encontrando meu olhar preocupado.
- Acho que nunca estive tão bem em toda a minha vida. - suspirou, com uma expressão relaxada e um sorriso encantador. 


Como prometi, mais um hoje. Estou  muito boazinha, não acham? Mas vocês merecem, admito. Dedico esse capítulo à Isa Guimarães, bota mais pressão do que meu professor de matemática. Agradeçam a ela por eu estar postando, ok? Pequeno, mas continua sendo capítulo. Gostaram? O que acham que vem pela frente? Estou ansiosa para ler o comentário de cada uma de vocês. Acreditem: são muito importantes. Beijos, meus amores! 

Capítulo 9

Luan's POV.

Depois de passar a madrugada observando-a dormir, eu me senti ainda mais na obrigação de cuida-lá novamente. Nós dois. Não pode haver distância, é inimaginável. Nascemos para ficar assim, sempre nos aventurando em nome do amor. Mesmo que queiramos nos afastar, não conseguimos. Sempre foi assim. Desde que essa menina desastrada me atrasou e me afrontou, batendo na minha van. Depois daí a história planejada por Deus começou e mais forte do que a nossa vontade, era a dele: ele excluía qualquer distância. Se conseguimos fisicamente, ele não permitia mentalmente. É incrível. É mágico. É quase sobrenatural. E não eu estava me sentindo um cara de 26, mas sim um adolescente de 17. Eu queria viver tudo de novo. Queria ser feliz como nos anos que passei ao seu lado. Enfrentar tudo e todos que nos impedem de ficar juntos, algo que eu não fiz há dois anos. Eu a amava, mas agora parecia que minha paixão renasceu. Nós recomeçaríamos e dessa vez eu sentia que seriam mais empecilhos, mais barreiras, mais dificuldades. Não importava. Porque apesar de tudo isso, sei que no final nós lembraríamos de todo esse sofrimento rindo e juntos. Eu vou sofrer, claro que eu vou! Mas não na sua frente. Se ela gosta dele, eu vou reconquista-la de uma forma arrebatadora. Vou fazer ela ficar mais apaixonada do que antes, vou apagar qualquer vestígio de sentimento que ela tenha por ele. Ela se despediu de mim e saiu, com a maior carinha de sono. Eu quase desisti de agir pela razão e pedi que ela voltasse, ou que ela me desse espaço na sua cama para meu peito servir como seu travesseiro novamente. Mas não. Eu deixei ela ir. Com um aperto no meu coração, mas deixei. Voltei para casa mais feliz do que eu havia saído. Minha felicidade: efeito dela. E depois de relembrar tudo que fizemos no meu carro, eu peguei no sono. 

Assim que acordei naquele dia, eu quis liga-lá. Mas hesitei, pensando se ficaria óbvio o que eu estava sentindo. Eu não queria que ela sacasse de cara o que eu desejava, ou, que fosse um chato, grudento. Não mesmo. É melhor esperar mais um pouco. Eu sei o que aquilo significou para ela, e mesmo que ela queira, ela não vai esquecer essa nossa aventura. Mas, mesmo querendo esperar, eu tive uma ideia quase perfeita. Eu havia machucado seu lindos lábios e não me desculpei. Já falei que amava sua boca? Precisava me redimir! Comprei flores amarelas (vocês já devem ter percebido o quanto  flores com essa cor são importantes para nós) e mandei entregar na sua casa. Com um cartãozinho, não menos especial: 

Me perdoe pelo o machucado da sua boca. Não podia fazer isso com a sua parte que eu mais amo, estou tolamente arrependido e louco para termos mais vezes como a de ontem. Mas sem ferir seus lindos lábios, claro. Um beijo (com cuidado)

Tive que voltar para as minhas mulheres, minhas fãs. Tinha milhares de shows marcados e era a mesma correria de sempre. Mas entre um cidade e outra, eu ligava para a minha filha. Não gostava de ter que falar com a Isabel, mas era a única forma. Laura perguntava quando eu voltaria, quando ela voltaria para o meu apartamento e eu só falava que logo, já que ela não tinha uma boa noção de datas. Diferente de Laura, não conversei com a sua sósia. Tatá. Eu queria muito, mas tinha receio do que ela poderia achar. Estava me sentindo sem graça e isso atrapalhava muito. Sem contar que realmente estava corrido, mal tinha tempo para pensar nela, o que eu estava fazendo involuntariamente, mas  que eu gostava. Eu amava pensar e relembrar tudo. Também me faltavam palavras e isso resultava no nosso silêncio. Ela não ligou e não foi bom só pra mim, ela também tinha que procurar. 

Felipe falava comigo e eu com a maior falsidade, fingia normalidade. Meu amigo nem imaginava o que estava acontecendo nas suas costas. E bom... foda-se. Não posso negar que me martirizava imaginando os dois juntos. Eu sempre fui tão ciumento com ela e agora, tem outro a tocando e eu simplesmente não posso fazer nada. Só posso engolir meu ciúme, tentar não pensar nisso e planejar outra situação para nos vermos e eu matar minha saudade, por meu plano em ação. Você não vai escapar de mim, menina. Não mesmo. 

- Mas já, Felipe? Por que você não me comunicou antes? Tá muito em cima, cara. - respondia Felipe, que acabara de me ligar para me convidar para uma viagem.
- Porque você mal atende essa bomba que você chama de celular.
- Tá corrido, parceiro. Mal tô falando com a Laurinha!
- Aposto que com a Natacha você tem tempo de falar. 
- Sai dessa, cara. Já falei que não tenho nada com ela! 
- Pra mim você ainda vai se apaixonar por ela e vai pagar o que faz com a coitada, mas...
- Mas nada, Felipe. Explica logo essa tal viagem! - forcei uma risada.
- Marquinhos topou de boa, acho que vai ser ótimo. Todo mundo, numa casa de praia... Minha sogra que tá ajeitando! - "minha sogra", revirei os olhos. Érika era minha sogra, só minha. Ela não sabia disso ainda, mas era. 
- Hum... 
- Sem contar que ela é a amiga da sua mãe, coincidência boa. Podemos ir todo mundo, Laurinha vai amar. Você não acha? 
- Acho, acho sim...
- O tio da Tatá, Marcos, vai tá lá também. Mal conheço ele, quero me aproximar. - Marcos. Lembrei automaticamente do que ele já implicou para que nós dois nos afastássemos. Filha da mãe.
- Seus pais já toparam, estão animados. Cê topa ou não, cara?
- Eu não sei, tem que ver com a Isabel...
- Isabel adora quando a Laura viaja com você, vei. Deixa de doce!
- Só vai o Marquinhos?
- Não. Gabriel, Larissa... Cristina, que é uma amiga da Tatá... Sua afilhada vai também, aí ela brinca com a Laura.
- Pode ser, pode ser. Hoje é o último show, viajo logo pra casa.
- Faz isso! 
- A Tanara vai? 
- Claro que vai, Luan. Toda a família dela vai, acha que ela faltaria? Sem contar que eu não viajaria sem ela. - riu e eu afastei o celular, fazendo uma careta. - Mas nós brigamos, cara. Sei que você não dá a mínima pra esses assuntos, mas...
- Não, não... Conta aí, cara! - eles brigaram? Olha Deus começando a agir. 
- Foi por causa do casamento. Ela veio pra São Paulo justamente pra isso e não estava fazendo nada. Nem escolher a igreja, nem marcar a data... Nem parece que ela quer realmente, cara. Não sei o quê fazer!
- Deixa a menina, Felipe. Isso é a noiva que faz, cê tá mais empolgado do que ela. 
- Mas se eu não ficar no pé dela, ela não faz nada. Aí a gente brigou, ela veio com os dramas dela... 
- É no tempo dela, Felipe. 
- Ela disse que depois dessa viagem ia atrás. Vou ver se dá pra mim acompanhar ela, quero ver todos os detalhes de perto. 
- Pois é, cara... Não precisa de tanta pressa.
- A lerdeza dela me irrita. Tatá é muito mimada, não aceita que tá errada.
- Eu não tô vendo ela errada em nada. Só tô vendo você afobado... Vai com calma, parceiro. Deixa ela curtir a família dela, descansar um pouco! 
- Mas ela não tem nada pra fazer, Luan. Já se formou, só tem o blog lá. 
- A Tatá é louca naquele blog. Gosta de se dedicar totalmente... Vai ver que ela tá pesquisando algumas coisas e você aí, enchendo o saco da garota. 
- Tatá? - riu estranhando eu a chamando pelo o apelido. Merda. - Como você sabe do blog? Como sabe que ela gosta? 
- Ué... Muié, né não? Ela tem cara disso. - dei uma desculpa esfarrapada, meio nervoso.
- Pois é. - suspirou triste. - Mas mesmo com isso, ela não pode agir como uma garota que gosta de escrever sobre moda em um blog qualquer. - ele fala assim do blog dela? Não sabe o quanto é importante pra ela? - Ela é uma mulher, Luan. Tem que ter responsabilidade! - Tanara definitivamente não é uma mulher com responsabilidade. Me irritei com a sua forma de falar. Quem ele pensa que é pra falar assim dela?
- Felipe, você tá sendo dramático. Vai frustrar a menina. - frisei o 'menina'. 
- Ela que tá me frustrando! Me deixando na mão há séculos. - OI? Quase gargalhei, mas me controlei. 
- Como assim te deixando na mão? - me fiz de desentendido. 
- Ela tá só me evitando, cara. Por isso eu tô estressado assim! Que homem fica calmo com falta de sexo?
- Vocês não..?
- Desde que ela chegou em São Paulo o máximo que ela me dá é um selinho sem graça. E eu achando que ela vindo pra perto de mim, tudo melhoraria. - bufou e eu quase gargalhei. Por isso eu amo minha menina! 
- Cara, nossa... Cê tá tudo isso sem transar? 
- Não sou você que come o mundo inteiro. Tem todas à sua disposição, em qualquer hora. - vamos trocar, parceiro? Cê fica com o mundo todo e me dá a sua noiva. Juro que não vou reclamar! Me permiti rir e ele se irritou.
- Cara não ri, é sério. 
- Com essa idade e tendo que bater punheta?
- Culpa da Tanara! Vamos ver se nessa viagem ela muda... - falou, me tirando o sorriso do rosto.
- Cê sabe por que ela tá assim? - mudei de assunto. 
- Não, pior que não. A gente namorava à distância, nunca tinha convivido com ela assim. Ela fica me evitando, sabe? Não quer que eu vá na casa dela, inventa compromisso... Acredita que eu fui beijar ela, só beijar, e ela não deixou? Disse que estava com um machucado na boca. - sorri, lembrando do acidente que aconteceu na minha Ferrari. 
- E cê viu se tinha machucado mesmo?
- Tinha, tava vermelho. - machuquei mesmo ela. Coitada da minha menina. - Ela fica com a mania de morder os lábios e quem se fode sou eu. - é, ela adora morder os lábios... 
- Cara, vou quebrar teu galho! Quer que eu arranje alguma muié pra você? 
- Tá louco, cara? Eu sou noivo, esqueceu?
- Mas é homem. Prefere ficar sem sexo? Não parece o meu amigo de antigamente. É só pra sair da seca, relaxa. 
- O novo Felipe é fiel.
- Não existe fidelidade com falta de sexo, Felipe. - aceita logo, merda!
- Existe. Você fala isso porque só pensa com a cabeça de baixo, não amou ninguém ainda. Eu amo ela, Luan. Tatá odeia traição, ela acaba tudo comigo. Não quero fazê-la sofrer e morro de medo de perder ela. - revirei os olhos, quase rindo da ironia das suas palavras. 
- Nossa... Cê tá mal, hein? Fiel acima de tudo.
- Nessa viagem eu saio dessa seca.
- Ou não. - falei sem querer.
- Oi?
- E se não? Você vai aceitar minha ajudinha?
- Não sei, Luan... Para de me atentar! - bufou e eu gargalhei. 
- Vou desligar aqui, boi. Até mais!
- Luan, quando você ver ela na viagem, não comenta o que eu falei dela, pode ser?
- Relaxa cara, eu mal falo com ela e meu amigo é você, né?!
- Valeu, boi. Até mais! - encerrou a ligação, me deixando num misto de pensamentos. Precisava ir nessa viagem, impedir que ele saía dessa seca. Estão vendo o quanto ela é maravilhosa? Usando o machucado que eu deixei pra evitar ele. Ai Tanara. 

E lógico que ela não vai saber o que ele falou. Estou começando a perceber que esse noivado não é um mar de rosas... 

Tanara's POV.

Depois de fazermos amor no carro, eu fui acordada com um lindo buquê de flores amarelas. Flores amarelas. Era ele! Só podia ser. Abri um sorriso gigante, pegando as flores da mão da minha irmã num ato rápido e lendo o cartão, morrendo de amores em seguida. 

Me perdoe pelo o machucado da sua boca. Não podia fazer isso com a sua parte que eu mais amo, estou tolamente arrependido e louco para termos mais vezes como a de ontem. Mas sem ferir seus lindos lábios, claro. Um beijo (com cuidado) 

Luan Rafael. 

Meu. Deus. Do. Céu. O que ele quer? 

Eduarda perguntou se era do Felipe e eu desconversei, tentando disfarçar o enorme sorriso que ocupava minha boca machucada. E falando em Felipe, após eu guardar as flores e o cartão, ele apareceu. Eduarda comentou das flores e eu fiquei totalmente sem graça,  desconversando. Felipe para a minha sorte, não deu muita importância e ela nos deixou a sós. Veio me beijar, e eu neguei, afirmando que estava com a boca machucada. De certa forma era verdade, não é? Ele murchou e nós ficamos conversando sobre algumas coisas, enquanto ele mantinha a cara de insatisfação. Eu até tentava me concentrar ali, mas meu pensamento estava no Luan. Do lado do meu noivo pensando em outro homem... É, eu estava cada vez mais ferrada. 

Luan não ligava e eu também não. Ou seja: não nos vimos mais. Eu não procuraria, não mesmo! Se ele não quer mais, ótimo. Problema dele. 

Mentira.

Eu estava extremamente impaciente com a sua demora. Será que ele desistiu? Mas e as flores? O que aconteceu? Cheguei ao ponto de só pensar nele, durante um dia todo. 

Felipe como sempre, reclamando e reclamando. Reclamava que eu não ia atrás de nada do casamento e reclamava sobre nossa distância (se é que me entendem). Eu não estava confortável em me entregar para ele e eu sabia bem o porquê. Era por causa do cretino! Como eu sou boba, não é? Mas essa é a verdade. Com todo esse seu estresse, nós acabamos brigamos. Sim, brigamos prestes a uma viagem que ele e a minha mãe haviam inventado. 

Dona Érika me aconselhava a adiar esse casamento, já que concordava com o Felipe sobre eu não estar animada. Ele parecia ser a noiva. Eu negava, tentando disfarçar o que vinha acontecendo comigo e claro, com seu pressentimento de mãe, ela sabia que eu não estava normal. Parecia desconfiada, mas não questionou. Estava disposta a falar com a Micaella, noiva de Sorocaba, sobre me ajudar nos preparativos. Ela também vai casar e deve saber mais do que eu. Mas eu só faria isso depois de voltar de viagem. Iriam todos, incluindo a família do meu ex namorado. Eu torcia para ele ir. Errado, não? Mas não sei, tinha alguma força mais forte do que eu me impulsionando a isso. Precisava vê-lo... Só isso... Ele não podia fazer o que fez comigo e me deixar assim, plantada! 

Felipe não me confirmou se Luan iria, aliás, não nos falamos mais. Iríamos para Fortaleza, ou melhor, para uma cidade próxima. Alguma praia, para ser mais específica. Eu estava ansiosa e mesmo curiosa, não perguntei nada para a minha mãe relacionado a ele. Veria minha avó, o que me deixava feliz. 

- Você e o Felipe continuam brigados, Tatá? - minha mãe perguntou, prestes a sairmos de casa. Estávamos de saída para o aeroporto, o dia de viajar chegou. 
- Sim. - suspirei. - Por quê?
- Você não sabe? Ele não vai mais. 
- Como não? Felipe que organizou, mãe. Ele está todo empolgado! 
- Ele me ligou, avisando que não vai dar mais pra ir. Algo a ver com o trabalho... Estranhei ele ligar pra mim e não pra você. 
- Felipe é um idiota! Se tá fazendo isso por birra, problema dele. - dei de ombros. 
- Liga pra ele, minha filha. Dá tempo ainda! 
- Não, mãe. Se ele ligou pra senhora e não pra mim, é porque ele não quer falar comigo. 
- Tatá, é seu noivo! Deixa de ser orgulhosa. 
- Mãe! Não vou ligar. Felipe é um exagerado! 
- Na época que você namorava o Luan, você não tinha esse orgulho todo. Aliás! As brigas de vocês dois eram bem mais sérias do que essa discussãozinha com o Felipe. 
- Por que a senhora tá falando do Luan? Essa comparação é totalmente desnecessária. - me irritei.
- Eu te conheço, Tatá. Eu te conheço! Tô de olho em você... - cerrou seus olhos em mim. 
- Vamos? - Hugo nos interrompeu, enquanto eu olhava sem entender para minha mãe. Por que ela tá dizendo isso? Será que ela viu algo? 
- Vamos! - Eduarda bateu palmas. Nós passaríamos na casa de Larissa, para buscar Alice, que iria com a gente. Os seus pais não poderiam ir e claro, tinham total confiança em nós. 

Luan's POV.

Conversei com a Isabel sobre a viagem e como sempre, ela não viu problemas. Laura se empolgou, afirmando que queria que chegasse logo o dia. E chegou. Bruna não quis ir e eu sabia muito bem o porquê. Ela tinha aprontado com a Tatá e bom, estaria toda a família dela. Iríamos só nós quatro. Como meu jatinho era bem espaçoso, havia sobrado lugares e quem ocuparia seria Marquinhos. Já tinha contato pra ele sobre o que aconteceu comigo e Tanara e ele riu, dizendo que nós dois não tínhamos jeito. Seria o nosso cúmplice, eu sentia. Chegamos em Fortaleza antes do meio dia e claro, não tinha nenhuma fã. Ninguém imaginava que eu estaria ali, já que não havia show nenhum. O carro que eu havia alugado já estava sob nossa disposição e saímos do aeroporto direto para a casa que todos já se encontravam, de acordo com a minha mãe. Sempre que pisava naquela cidade eu lembrava de tudo que aconteceu comigo e Tanara, era inevitável e repetitivo. Meu pai ia dirigindo e eu ao seu lado, na frente. Atrás ia minha filha com a sua avó e meu amigo. Conversávamos sobre coisas aleatórias e Laura não parava de perguntar se já estava perto. 

Eu estava louco para vê-la. Mas também estava um pouco mal em saber que teria que aguentar Felipe ao lado dela, esfregando na minha cara com quem ela realmente estava. Com esses pensamentos eu nem prestei atenção no tempo e quando vi, já estávamos perto da tal casa. Perguntei ao meu pai e ele afirmou, dizendo que Érika tinha passado as referências. Já dava pra ver a praia linda e deserta. Logo estacionamos em frente a uma casa grande e bonita, vendo em seguida Érika sair da mesma. Minha mãe desceu do carro e foi imediatamente cumprimenta-la. A amizade das duas continuou firme e forte! Todos desceram e também cumprimentaram minha ex sogra. Trocamos poucas palavras antes de Hugo aparecer e iniciar uma conversa com meu pai, enquanto meus olhos procuravam minha menina. Entramos e meu pai colocou o carro para dentro da casa, vendo Laura ainda mais admirada com a beleza interna dali. Seus olhos denunciavam que ela estava encantada e louca para começar a brincar. 

- Papai, você disse que a Alice vinha! Só tem adulto. - cruzou os braços, marrenta. 
- Ela disse que viria. Vou perguntar a Érika...
- Uai, cadê aquela anã safada? - Marquinhos perguntou ousado, fazendo todos rirem.
- Deixa ela escutar isso, Marquinhos! - minha ex sogra repreendeu, rindo. 
- Érika, a Alice não veio? - perguntei, enquanto Laura me cutucava. 
- Veio sim, Luan! Ela tá lá dentro com as meninas. Cristina, Tatá e Duda. Tão fazendo brigadeiro... 
- Pai, eu quero brigadeiro. - os olhos de Laura brilharam e eu passei a mão na cabeça, olhando para Érika sem graça. 
- Laura, calma filha. 
- Deixa a menina, Luan. Vem Laurinha, a tia te leva. - Érika estendeu a mão e Laura pegou, sem ao menos olhar para trás. 
- Eita que essas três vão fazer bagunça! - meu pai comentou, enquanto eu procurava vestígios do Felipe.
- Vão sim, e Laura já adorou a ideia. - minha mãe complementou. 
- O Felipe não veio, Hugo? - perguntei. 
- Veio não... Parece que brigou com a Tatá. Sabe como são esses casais jovens, né?! - riu. 
- Sério? - meus olhos brilharam e eu quase me entreguei num sorriso, disfarçando logo após da risada do Marquinhos. - Ele tava tão empolgado! - sorri amarelo. 
- Pois é, Gabriel e Larissa também não vieram. 
- Que pena. - minha mãe lançou um olhar preocupado para o meu pai e eu não entendi. 

Marquinhos falou alguma coisa e todos riram, menos eu, que tive a atenção roubada pela cena de Tanara saindo pela porta da frente com um vestidinho curto e azulzinho. Seus cabelos soltos e um sorriso estonteante. Merda. Como era linda, essa filha da puta! 

- Oi, gente. - sorriu, acenando com uma mão para nós. 

Se ela continuasse sorrindo assim durante os próximos dias ali, talvez eu não aguentasse. Talvez não, aquilo com certeza não daria certo e por algum motivo, eu tinha a impressão de não estar sozinho nesse medo. Eu e Tanara. Numa viagem. Sem Felipe. 


Capítulo dedicado à Laura e Ary, leitoras fiéis aniversariantes de ontem. Tudo de bom, meus amores! Gostaram do capítulo? Imaginam o que vem pela frente? Próximo mais tarde, se tiver bastante comentários. Beijo, beijo... 


sábado, 2 de janeiro de 2016

Capítulo 8 - Élito, pufavô!


- O que você quer, Luan? - cruzou os braços, me encarando. 
- Você. - respondi focado, sem parar de olhá-la nos olhos. Ela mudou a expressão defensiva e começou a transformar o olhar em um olhar sem graça. 
- Não é hora para brincadeiras. - respondeu agora totalmente sem graça. 
- Quem disse que eu estou brincando, Tanara? - levantei uma das sobrancelhas, com um ar superior, me possibilitando um sorrisinho debochado. Eu precisava mostrar que estava dominando aquela situação. 
- Seja direto, por favor. - falou ríspida, desviando o olhar. Naquele momento, todas as palavras, frases, diálogos que eu havia ensaiado, fugiram. E agora? Estava com um frio na barriga e isso para mim era horripilante. Há exatos dois anos eu desconhecia aquela sensação. 
- Você é muito cara de pau, Tanara. - acuso, ganhando tempo para lembrar de tudo que eu havia planejado; ou, recomeçar o planejamento. 
- Por que eu sou cara de pau?  - descruzou os braços. 
- Ah, então você esqueceu da noite que tivemos? Esqueceu que transamos? Esqueceu que você traiu, até então, o seu noivinho? - perfeito, Luan. Encurrale ela. Bandida. Não podia me ter dessa vez e agora vai sofrer as consequências. 
- Não, eu não esqueci. Mas quero mais que tudo, esquecer esse episódio desnecessário da minha vida. - sorriu irônica. Será que ela não vai perder essa marra nunca?
- Achou que fugindo de mim, isso aconteceria?
- Achei, Luan. Você não me procurou, por que fazer isso agora? 
- Eu te conheço, Tanara. Perfeitamente. Premeditei que você faria isso, fugiria. Você sempre foge. - dei de ombros, com um sorrisinho de canto. - Te dei esse tempo pra ver até onde você iria. Pensei que você ao menos abrisse jogo com ele sobre o nosso namoro, mas pelo o visto, nem isso. 
- Você não tem nada a ver com o que eu conto ou deixo de contar pro meu namorado. É nossa intimidade!
- São os chifres dele. E sim, eu tenho muito a ver. Dessa vez você não vai brincar comigo. - me dirigi até o copo que eu estava bebendo meu uísque e pus mais um dose. - Aceita? - ofereci, vendo-a balançar a cabeça negativamente. 
- Eu tô brincando com você? Por quê?
- Vai se fazer de inocente? Pra mim, Tanara? Quer que eu repita que te conheço perfeitamente?
- Eu realmente não tô te entendendo. - revirou os olhos, nervosa e impaciente. 
- Por que ficar com esse cara? Noivar? 
- Esse cara é o Felipe, seu amigo, e uma pessoa maravilhosa que me faz bem.
- Vai casar com alguém por te fazer bem? - ri, debochado. - Uau! Me surpreendeu.
- Quem você pensa que é pra debochar assim do meu relacionamento? 
- Sou o Luan, aquele que você usou e jogou fora. Pra mim isso não passa de uma palhaçada. 
- Para de se fazer de coitado. Para com esse drama! Você é o cafajeste da história, eu não te usei.
- Usou sim. Usou em 2015 e usou agora. 
- Por que eu te usei? Por que eu pus um fim no nosso relacionamento?
- Porque eu te amava, merda. Você desmereceu meus sentimentos! Você foi egoísta, Tanara. Dizia me amar, mas que eu saiba, quem ama enfrenta. Quem ama se adapta à vida do outro, quem ama luta pelo o outro. Você cansou da minha correria e por isso, desistiu da gente. Não pensou se eu sofreria, não pensou. Egoísta. Mimada. Sempre quer o melhor pra você! 
- Você não pode me julgar. Confesso que não estava disposta a enfrentar tudo, apesar do que eu sentia por você. Mas esse meu cansaço foi consequência dos seus erros, Luan! Eu não fui egoísta, você que foi o causador. 
- Vai passar isso na minha cara até quando? Eu errei e fui atrás do seu perdão, porque eu errei por te amar. 
- E eu te perdoei. E te deixei ir, por também te amar. 
- Se me amava, por que não se questionou se isso seria bom pra mim? 
- Nossas vidas entrariam numa confusão ainda maior, Luan. Me entende! Eu não queria te ver passando por isso. Me poupei, mas te poupei muito mais. É a sua carreira, é a sua vida. 
- E se eu quisesse passar por tudo? Só precisava estar do seu lado, porra. Não tenta se explicar. Agradeço por ter pensando em mim, mas me poupando disso você me causou um sofrimento muito maior e eu não vou te perdoar por isso. 
- Então não perdoa. Você é um idiota! Não sabe que só amor não resolve tudo. Não sabe o que vem depois disso, não sabe as coisas além. Não sabe, principalmente, o que eu estava sentindo. Me desculpa se te contrariei, mas as minhas intenções foram as melhores. Não só pra mim, como você acusou, para nós dois. Se era só isso, eu tô indo embora. - fez menção de andar e mais rápido do que seus passos, foi a minha pronúncia: 
- Sai por essa porta, Tanara, e eu ligo pro Felipe agora e conto tudo. - ameacei, fazendo-a parar na mesma hora. Eu não estava mais medindo nada, essa era a única forma de mantê-la ali.
- Será que sua mágoa é tão grande que não pode me deixar ser feliz, quieta? 
- Não posso deixar você ser feliz com outro. Sua felicidade tá comigo, e isso tá claro nos seus olhos. - disse, a fazendo virar. 
- Meus olhos não sabem de nada. - falou, com uma expressão triste.
- Você talvez não queira, mas eles sabem, e demonstram. 
- Luan... - suspirou.
- Eu falei que te amava. Na cozinha que está a metros da gente agora, quando você estava totalmente entregue. Você desprezou minha sinceridade e fugiu, de novo, pra variar.
- Eu não desprezei nada! 
- E na hora, eu lembro perfeitamente que você deixou minha declaração no ar. Você não respondeu. - ri triste. - Por que não deixou que seus olhos respondessem por você? Medo de soltar um "eu também te amo", para um cara que não é o seu noivo?
- Você não sabe o que eu tô passando. - sentou no sofá, abaixando a cabeça. 
- Eu sei. Sei o que eu estou causando. 
- Eu não podia esperar você acordar, eu não sabia o que te dizer. 
- Um “bom dia”, talvez?
- Eu nunca traí, você sabe. Eu fiquei com vergonha, arrependida. 
- Você nunca me traiu porque me amava. Não deve se culpar por trair ele, então. - dei de ombros, sentando também segurando meu querido e companheiro copo. 
- Você não tá no meu coração pra saber o que eu sinto pelo o Felipe. - me olhou de relance, negando com uma sorrisinho amarelo. 
- Você tem razão, eu não sei. Mas sim, eu estou sim no seu coração e exatamente por esse motivo te afirmo que você não o ama. Por mim. Você é incapaz, Tanara.
- Não seja tão convencido. Eu te esqueci. - olhou-me profundamente. Sustentei seu olhar, com uma expressão realmente 
convencida. 
- Me perdoe, menina. Você realmente me esqueceu. Esqueceu tanto que se entregou pra mim em uma primeira aproximação, mesmo depois de dois anos e mesmo estando comprometida. É, esqueceu. - sorri de lado, a fazendo olhar-me embravecida. 
- Eu odeio isso em você. Seu jeito de metido, de sempre certo; seu ego, sua superioridade. 
- Eu odeio sua confusão melancólica. Seu drama. Odeio você não aceitar o que sente por mim e se atrapalhar toda, entre nós dois. Eu e o Felipe.
- Quer saber, Luan? Eu estou mesmo nessa indecisão. E isso pode parecer fraqueza, erro... Mas infelizmente isso faz parte da minha personalidade. Não posso mudar o que sou. 
- Não quero que mude, quero que se decida.
- Eu sou incapaz. - encarou um ponto aleatório na minha sala, evitando nosso contato visual. 
- O que você viu nele? O que ele tem que eu não tenho? Me fala, por favor. 
- Essa não é a questão. 
- Claro que é, merda! Você não pode ficar nessa dúvida. Envolve outras pessoas, outros sentimentos. E entre essas pessoas estou eu, que só me fodo nessa porra toda. 
- Não fala assim, nunca quis te fazer sofrer. 
- Mas faz. E isso não é culpa sua, a culpa é minha. Eu não deveria sentir o que eu sinto por você. Canto o amor, mas não queria sentir com essa intensidade. Machuca, dói. Eu não me permito sentir isso, mas simplesmente não depende da minha permissão. É além. 
- Foi tão lindo o que a gente viveu, Luan. - disse, continuando sem me olhar. - Te ver novamente aflorou meu sentimento e nossa, ele era tão arrebatador. Forte, imenso. 
- Aceita isso. É só o que resta!
- Não, não é só isso. Você não entende! Você nunca vai entender. Eu gosto do Felipe, ele apareceu em um momento que eu precisava. Ele gosta tanto de mim, se esforça...
- Não mais que eu. Ele não me supera em nada, Tanara. Nada! No fundo você sabe disso. 
- É delicado.
- Às vezes eu fico imaginando vocês dois, sabia? - ri, sem humor. - Me dá ânsia de vômito, mas eu imagino. Eu me torturo pra tentar entender o porquê dessa traição. Traição dupla.
- Eu não sabia de nada, já falei.
- Mas ocultou nossa história, está escondendo. E agora eu sei que não era vergonha, era medo. Medo de não conseguir começar com ele, simplesmente por relembrar nosso namoro e despertar algo que custou muito pra adormecer. 
- Essa conversa já está se alongando demais, acho melhor pararmos por aqui. Se era só isso... - ia levantar, mas segurei seu braço.
- Não era só isso. A conversa não é longa, é necessária. Você não vai mais fugir de mim, Tanara. Não vai. - nos olhamos penetrantemente até ela se soltar do meu braço, com uma certa raiva.
- Não pode me ameaçar pra sempre.
- Não pode me tratar como um boneco. 
- Eu já assumi, Luan. Eu gosto de você, eu gosto dele... E simplesmente não consigo me entender, me decidir. Está bom pra você? 
- Não. Está péssimo! - bufei, bebendo um gole da minha bebida.
- Para de beber isso! - repreendeu-me e eu ri, debochado novamente. - Falei alguma piada?
- Falou. Eu largar meu uísque: piada.
- Eu não acredito que você tá fazendo isso com você, Luan Rafael! Isso faz mal, sabia?
- É um pouco tarde pra você falar isso. 
- Não, você não se entregou à bebida... Não é, Luan?
- Posso mentir?
- Larga isso!
- Com que autoridade você se atreve a dizer isso? 
- Autoridade nenhuma, apenas com generosidade. - em instantes meu copo estava no chão e minha bebida derramada. Numa agilidade incrível ela o tirou da minha mão e conseguiu essa proeza, espalhar os seus cacos no meu tapete. 
- Você é louca? - olhei-a, tentando conter minha raiva.
- Não vou deixar você virar um alcoólatra. 
- Você foi a culpada, não adianta tentar remediar o erro. - encarei-a, com nossos rostos mais próximos e nossas respirações aceleradas. - Você é muito atrevida. Isso é um defeito que tem consequências. Sérias.
- Por exemplo? - franziu as sobrancelhas. - Hum... Vai fazer algo comigo? Um crime passional? Por isso me chamou pra cá? - criou um sorriso irônico, como sempre: debochada.
- Eu sei que falei isso durante todo o nosso namoro, mas não posso deixar de citar: eu odeio o seu sarcasmo. - disse por fim, atacando sua boca em seguida. Ela se assustou de início, mas logo levou as mãos para o meu cabelo;  as minhas foram para a sua nuca e sua cintura, respectivamente. Estávamos em um beijo delicioso, as sensações causadas eram indecifráveis, até ela parti-lo.

- Não podemos. - ofegou. - Não, podemos. - falou com uma pausa para retomar a respiração. - Me perdoa.
- Não, eu não te perdôo. Não te compreendo, não aceito. - sussurrei.
- Marquinhos foi lá em casa hoje e eu contei nossa situação. - murmurou, conquistando meu interesse naquele assunto. - Ele sabe de tudo que aconteceu com a gente, era a única pessoa que eu podia desabafar no momento. - comecei a prestar mais atenção. - Ele não me julgou, Luan. Pela traição, pela indecisão... Por nada! Ele me tranquilizou. 
- Como? - única palavra que pude emitir. Por que meter aquele assunto ali, agora? Após um beijo? 
- O seu jeito de levar tudo na esportiva, acabou diminuindo o drama desse meu conflito. - continuou e me olhou, me fazendo 'assentir', incentivando-a a continuar. - Ele arriscou um conselho, Luan. Que de primeira eu fiquei horrorizada e hesitei. Mas depois, pensando com calma...
- Que conselho é esse? - indaguei, encarando-a sério e com a curiosidade por algum motivo desconhecido, eriçada.
- Me aconselhou a... - suspirou. - A ficar com os dois. Numa forma de me ajudar a entender essa complexidade, me ajudar a me entender, a escolher... - gaguejou um pouco, entregando o quão estava nervosa e desconfortável com aquele assunto. - Eu nunca faria isso! Você também, nunca aceitaria... Eu falei pra ele, sabe? Mas ele afirmou que...
- Eu aceito. - a interrompi. Seus olhos arregalaram e suas mãos se afastaram de mim, em susto. Mantive minha expressão séria e tentei uma que mostrasse indiferença, normalidade. Ela continuava intacta, parecia horrorizada. 
- Você falou o quê, Luan? 
- Eu aceito. - dei de ombros. 
 - Vo...cê... aceita? - gaguejou, boquiaberta. 
- Já falei que sim, não já? - respondi ríspido. 
- Mas Luan... Você...
- Não quer mais? 
- Não, não é isso... É que...
- Tanara. - interrompi-a. - É isso que você ouviu, eu aceito  te ver às vezes, nas escondidas... - falei com desdém e ela ficou totalmente sem graça. 
- Ah... Então... Bom, é isso.
- É, é isso. 
- Posso ir embora ou você vai me ameaçar de novo?
- Você pode ir.
- Muito gentil da sua parte. - sorriu cínica. - Para de beber, por favor. Isso faz mal de verdade! - falou... preocupada? 
- Você não tem que se meter na minha vida. Vamos ficar e só. - disse indiferente.
- Você é um grosso, Luan! Não sei porque eu tento. - levantou, com pressa. - Tchau. - se despediu sem olhar pra trás. 
- Espera! - intervim. - Me passa seu número. - ela olhou pra trás, me olhando desentendida. - Como vamos marcar? É preciso. - transpareci um pouco que eu estava tão "sem graça" quanto ela. Aquilo não combinava com a gente! 
- Que sem magia. - revirou os olhos. Ela e suas magias. 
- Vamos logo, Tanara. E anota o meu também! - sorri arrogante e ela tirou o celular da bolsa, começando a digitar enquanto eu ditava meu número. - Pronto? Agora me dá o seu. - assentiu, enquanto eu pegava o meu celular. Anotei o número e depois um silêncio constrangedor de formou entre nós.
- É, então... Eu te ligo! - falei, não sabendo mais disfarçar. 
- Isso. Só... cuidado.
- Cuidado? Tá querendo me ensinar a ser amante? - ri irônico. 
- Claro que não! Eu só acho que...
- Quem vai ter que aprender alguma coisa aqui, é você. Boa sorte! 
- Tchau, Luan. - bufou, saindo e batendo a porta com força, em seguida. Soquei o vento, com raiva de mim mesmo. Ela foi embora. Por que você deixou, seu merda? Segurei meu cabelo com força, sentindo o arrependimento me possuir. 

Passaram-se os minutos e ela não voltou, não ligou, me deixando desesperado. Eu precisava dela. A chamei com a esperança de fazermos esse acordo e também, aproveitar a noite ao seu lado. A parte do acordo deu certo, mas, mais uma vez ela fugiu. Por que eu deixei? Eu devia ter inventado outro assunto, ou simplesmente agarrado-a. 

Inútil.

Encarei a garrafa do meu uísque caro, fazendo menção de andar até ele, mas, antes, lembrando do que ela havia falado. Não, ela tem razão. Eu não posso me acabar por causa do Felipe. Ele não vai acabar comigo. Ele vai perder. Eu vou ganhar essa disputa, vou recuperar o que é meu. 

Deitei no sofá, levando o antebraço à testa e pensando nela. Peguei meu celular e fiquei encarando o seu contato. No mesmo momento fui na minha galera, vendo o álbum com todas as nossas fotos. Todas. 

Eu era feliz e não sabia. 

Bloqueava, rosnando algo que nem eu mesmo entendia. Obrigado por me tirar mais uma noite de sono, Tanara. 

Tanara's POV. 

Depois de conversar com Marquinhos, eu comecei a pensar naquela hipótese. E se não fosse tão loucura? Afinal, de loucura por loucura, eu e Luan não nos rotularíamos como um casal normal. Um lado de mim gostava daquele conselho e o outro, não. Mas gostando ou não, eu tive que comparecer no seu apartamento. No horário marcado eu estava tocando sua campainha e ele me atendeu mais lindo que nunca. 

Entrei. Entre ofensas, mágoas e ameaças, minha preocupação acabou falando mais alto. Ele estava bebendo aquilo como um louco, se continuasse assim eu temia o que poderia acontecer. Lembrei do quanto ele odiava quando eu bebia e o imitando em uma das nossas situações de 2014, eu empurrei o copo. O que contraditoriamente acabou gerando um beijo. Seu gosto conseguia me deixar bêbada, do mesmo tanto que ele ficaria se continuasse tomando o que eu fiz escorrer no seu tapete.

Situação perfeita para eu mudar totalmente de assunto e citar o conselho de Marquinhos, tendo uma surpresa e tanto.

Luan apoiou a ideia do amigo e aceitou, sem me deixar ao menos terminar, sem pestanejar. 

Minha boca foi ao chão. O meu Luan nunca aceitaria isso. Quem era aquele? O que fizeram com ele? Fiquei tão assustada que fiquei boba na sua frente, levando uma das suas patadas em seguida. Se ele aceitou, quem eu era pra contrariar? Era pro meu bem, estranhamente era. Tinha esperança de conseguir me entender. Entender o que eu andava sentindo... Isso seria essencial. 

Trocamos nossos números, como dois estranhos, tratando nosso envolvimento com uma frieza que nunca tivemos. Me deixou até mal. E assim eu saí, querendo entender o que tinha acontecido naquela sala. Éramos tão bipolares. Combinamos de sermos amantes...? É isso? Ri negando. Eu vou trair meu noivo. Como eu sou radical! 

Cheguei em casa inevitavelmente pensando nele. Outra vez, sem entender aquilo. Eu precisava ser mais esperta comigo mesma. Não sei, não entendo o que acontece comigo. Como isso é possível? Tomei banho sem conseguir tirá-lo da minha mente, me xingando por isso. Por que eu fui embora, se eu queria que rolasse outros beijos? Se eu no fundo, queria que rolasse mais que beijos? Ok. Pare! 

Tomei banho e vesti minha camisola, deitando pensativa. Era cedo pra dormir. Peguei meu celular e fiquei encarando seu contato. Meu Deus, me ilumina! 

Incontrolavelmente, eu liguei pra ele. É, liguei sim. Mas desliguei antes que chamasse. Respira fundo. O que você tá fazendo? O que você quer? Meus dedos, totalmente involuntários, me desobedeceram e ligaram novamente. Juro, a culpa é deles! E dessa vez, chamou duas vezes. SUA BURRA. Para. Sua louca. Abestada. Não faz mais isso! 

Ainda bem que ele não vai ver e não vai dar importância pra isso... Ou não. Em segundos, seu nome estampou na minha tela. Ele estava retornando, oh droga! Respirei fundo e atendi, dois toque depois. 

- Alô. - fingi normalidade e ele riu irônico. Ele já começa com esse tom superior dele?
- Tá rindo do quê? - perguntei irritada, já sabendo que o motivo da sua risada sou eu. 
- Da sua urgência. 
- Você é um metido, sabia? Fique você sabendo que eu liguei errado.
- Ia ligar pra quem à essas horas? Já sei! Pro seu noivinho? Que romântica você. Deu saudade?
- Por que você não vai se foder?
- Vocês dois até me inspiram para compor. Mas não música apaixonada, e sim, música de corno. Você é uma cretina.
- E você é um cachorro. - sussurrei.
- Por que você foi?
- Porque você não me pediu pra ficar. - algo mais forte do que eu me impulsionou a falar isso. E infelizmente saiu com naturalidade. 
- Meu Deus! Como eu sou idiota. 
- Ainda bem que sabe. - me gabei, lhe causando uma gargalhada. Que risada gostosa! 
- E aí? O que a gente faz? 
- O que todo mundo faz nesse horário.
- Uia, que bom muié!
- Que bom o quê?
- Ué, todo mundo transa nesse horário. Que bom que você tomou a iniciativa, isso é inédito.- falou, sendo a minha vez de rir.
- Não querido, todo mundo dorme. Vamos dormir! 
- Se você conseguir, por mim tudo bem.
- Por que eu não conseguiria? 
- Pelo o mesmo motivo que eu. Tá pensando na gente! 
- Você é um convencido, não?
- Só acho que se você tivesse pensando no seu namorado, não me ligaria. Ou eu tô enganado? 
- Está enganado. Bastante enganado.
- Será que um dia você aprende a mentir? Não consigo acreditar quando você tenta, acredita? - me fez rir novamente. Como eu me odeio quando fico dessa forma. Por ele. O pior de tudo: sempre ele.
- Você é um babaca.
- E você, já tá arrumada? 
- Arrumada? Pra quê?
- Uai, tô passando aí pra te buscar. 
- Não! Você tá louco? - levantei, sob suas risadas. - Não, Luan. Eu tô falando sério, não vem aqui.
- Só não vou se você vier. 
- Eu não vou.
- Então estou chegando.
- Luan! Eu tô falando sério, não vem. 
- Tá sozinha?
- Tô, mas...
- Meu apartamento é bem melhor mesmo. 
- Eu não posso ir. 
- Por que não? 
- Não posso dormir fora de casa, de novo.
- Tem razão. É perigoso você vir sozinha, de táxi. 
- Seu mal é sono. 
- Eu também acho. 
- Então boa noite.
- Boa noite. - respondeu, demorando uns segundos para desligar. Ficamos ouvindo nossas respirações? Não posso crer. 

A ligação se encerrou e eu olhei desnorteada pro teto do meu quarto. Suspirei, tentando me recompor do que acabara de acontecer. 

Fiquei rindo boba, por longos minutos; rodando o celular com uma mão só, até o próprio vibrar. Uma mensagem. DELE? 

“Tô em frente ao seu condomínio. Aparece aqui, pra gente dormir...”

Ele era mesmo louco! 

“Você é louco ou o quê?”

“Sou tudo que você quiser, só pra você.”

“Luan... Vai embora!”

“Só vou quando você vier. E eu não me importo de amanhecer aqui, de alguém me ver...”

“Você continuou bebendo, não é?”

“Não bebi mais. Não vinha te beijar com o hálito de whisky, né?!”

“Que bom então!”

“Está bom assim pra senhora?”

“Está bom pra você, que não vai virar um alcoólatra. E fique sabendo que eu não vou!”

“Tudo bem... Se mudar de ideia eu tô aqui, te esperando viu?!” 

“IDIOTA!”

Gargalhei da sua atitude. Ele era louco mesmo! Me olhei no espelho e soltei o cabelo. Me ajeitei, e antes de sair, me avaliei dez vezes. Eu tinha que estar no mínimo apresentável, mesmo saindo de camisola, à essas horas, no meio da rua. Coincidentemente eu não menti pra ele, estava sozinha. Saí, com o maior nervosismo, e com uma certa sensação desconhecida que estava me fazendo sorrir como uma retardada. 

Saí do condomínio e andei um pouco, com um certo medo (já que era tarde) e  logo vi seu carro. Carro luxuoso, que, nós estávamos juntos quando ele comprou. Presenciei a primeira vez ele o dirigiu, feliz como uma criança brincando com seu novo e esperado brinquedo. Tudo em 2014, claro. 

Precisava me aproximar dele, e completamente guiada por meus instintos, eu entrei no carro, passando uma de minhas pernas sobre as dele e me sentando em seu colo. Fechei a porta da Ferrari, deixando Luan totalmente perdido, e jogando no lixo qualquer vestígio de sanidade que ainda me restasse, uni sua boca à minha sem a menor delicadeza. 
Os lábios dele permitiram a passagem de minha língua imediatamente, misturando o gosto dele ao meu e me causando um efeito quase anestesiante. Suas mãos, ainda surpresas com a minha pressa, demoraram a se decidir entre minha cintura e minhas coxas, e sem conseguir escolher, foram parar em meus quadris. Eu bagunçava seu cabelo macio, sentindo um calor dominar meu corpo, especialmente onde havia contato com o corpo dele. 
Não sei por quanto tempo nos mantivemos ali, apenas nos beijando (lê-se: “nos engolindo feito duas enguias”) e sentindo a presença um do outro. Pela intensidade com a qual ele retribuía o beijo, e até sorria de vez em quando, eu não era a única ansiosa por aquele momento, o que de certa forma me reconfortou. Eu pressionava meu tronco contra o dele com cada vez mais desejo, sentindo-o reagir da mesma forma como se quisesse fundir nossos corpos num só. Quando meus lábios já estavam ficando doloridos pela pressão contra os lábios dele, Luan começou a puxar minha camisola para cima conforme explorava meu corpo com suas mãos. Minhas pernas se contraíam inconscientemente ao redor de seus quadris, me impulsionando para cima e quase o prensando contra o encosto do banco. Ele continuou subindo seus toques até encontrar meus seios, e envolveu-os com suas mãos, soltando um gemido abafado contra meus lábios. Deixei que ele aproveitasse por um tempo, e logo parti o beijo, com uma mordida em seu lábio inferior, para tirar a camisola. 
Voltei a me inclinar sobre ele, colando nossas bocas novamente e deslizando minhas mãos por todo o seu tronco, só parando quando encontrei o que queria. Abri o botão e o zíper da calça sem demora, sentindo-o aumentar sua agressividade no beijo, e acariciei sua já considerável ereção por cima das boxers. Luan agarrou meus cabelos da nuca em sinal de aprovação, e colocou mais força em seus dedos quando eu passei a beijar seu pescoço, tentando compensar o desvio de minhas mãos para sua blusa. Dedilhei o caminho de volta, sentindo cada músculo de seu abdômen se contrair ao meu toque conforme eu subia, e segui para suas costas quando atingi a altura máxima possível. Ele puxou a camisa pela parte de trás, e eu me afastei, observando-o tirar a peça e jogá-la em qualquer lugar. 

Ele segurou minha cintura com firmeza, me inclinando um pouco para trás, e eu apoiei minhas costas sobre o volante, me arrepiando por inteiro quando senti sua língua tocar a pele de minha barriga. Luan fez uma trilha de beijos enlouquecedores até alcançar meu pescoço, me trazendo de volta à minha posição ereta, e quando seus lábios voltaram a buscar os meus, uma de suas mãos se colocou por dentro de minha calcinha, me provocando com seus dedos. Ensandecida, eu correspondi seu beijo com o triplo de ferocidade, fincando o que restava de minhas unhas em seus ombros tensos sem nem pensar se doeria. Graças à experiência dele, que o possibilitava tocar os lugares certos, eu já estava quase atingindo o clímax quando sua outra mão escorregou até minha bunda, dedilhando o leve alto-relevo causado pela estampa de ovelhinha de minha calcinha. Apesar de todos os outros acontecimentos, aquilo pareceu diverti-lo, já que pude sentir um sorrisinho moldar seu rosto. Gemi alto contra seus lábios quando Luan ameaçou parar de movimentar seus dedinhos, e ele só o fez quando sentiu que havia terminado seu trabalho. Vesgo cretino. Suada e precisando urgentemente de ar, eu afastei meu rosto do dele, sugando seu lábio inferior e sentindo-o se afastar na direção oposta só para me fazer sugá-lo com mais força. Ambos sorrimos de leve com a provocação, e se o volume entre as pernas dele não estivesse extremamente convidativo, eu teria voltado a beijá-lo. Luan segurou meu rosto com uma mão, mordiscando o lóbulo de minha orelha lentamente e me arrepiando com sua respiração ruidosa, enquanto eu descia sua calça jeans ao máximo com um sorriso pervertido. Rocei meus lábios nos dele por um segundo, encarando seus olhos cheios de luxúria, e desci suas boxers até os joelhos, onde a calça havia parado. 

Envolvi sua ereção com uma mão, sentindo-a quase pulsar de tão enrijecida, ao mesmo tempo em que as mãos de Luan acariciaram minhas coxas. Agarrei seus cabelos com a mão livre, puxando-o para um beijo, e com a outra, comecei a masturbá-lo o mais depressa que consegui. Ele se esforçava ao máximo para corresponder às carícias de minha língua, mas a contração ainda mais freqüente de seu abdômen deixava nítido que aquilo não era sua prioridade no momento. Luan agora soltava gemidos contínuos e quase chorosos de tanta excitação, mas eu não desisti de beijá-lo. Eu queria mesmo que ele sofresse por ter demorado tanto pra chegar. 

Ele subiu suas mãos até o cós de minha calcinha e colocou seus polegares por dentro do elástico da mesma, trazendo-a para baixo sem surtir muito efeito. Entendi aquilo como um aviso de que ele não agüentaria por muito mais tempo, e imediatamente parei o que estava fazendo para me desfazer da última peça de roupa que ainda restava. Enquanto eu me despia, ele resgatava a camisinha do bolso de sua calça e rasgava sua embalagem com os dentes, daquele jeito grosseiro e extremamente sexy. Atirei minha calcinha longe, e quando viu que eu já estava livre, ele me deu o preservativo com um sorriso nada angelical. Retribuí seu sorriso safado e coloquei a camisinha nele com cuidado, sentindo meus talentos manuais sendo reconhecidos. 
- Você sabe o que fazer. - ele murmurou com a voz falha, quando eu terminei, e meus olhos se ergueram até encontrar os dele. Senti um arrepio percorrer minha espinha, eriçando meus pêlos da nuca e acelerando meus batimentos cardíacos ao reconhecer aquela mudança. Eu poderia passar a vida inteira encarando aqueles olhos sinceros, sem saber classificar o sentimento que eles causavam em mim. 

Meu rosto avançou lentamente na direção do dele, unindo nossos lábios com calma, e eu ergui meu corpo até encontrar a posição certa. Luan colocou suas mãos em minha cintura com sutileza, como se quisesse me incentivar, e eu o coloquei dentro de mim devagar, sentindo-o apertar minha cintura com mais força quando cheguei ao fim. Eu segurei em seus ombros, trêmula, e deixei que todas aquelas novas sensações, que ao mesmo tempo eu já conhecia, fizessem efeito sobre mim. Paramos de nos beijar, mas mantivemos nossos lábios unidos, e abrimos nossos olhos, encarando profundamente um ao outro. A conexão entre nossos olhares por pouco poderia ser tocada, de tão intensa que era. A compreensão e a paciência, apesar de sua vontade gritante de que eu me movimentasse novamente, eram nítidas em seus olhos, o que só me deixou ainda mais tonta. 

Ele fechou os olhos, franzindo de leve a testa e escorregando suas mãos até meus quadris, e eu reiniciei o beijo, sentindo o prazer crescer monstruosa e subitamente dentro de mim. Envolvi seu pescoço com meus braços, embrenhando meus dedos em seus cabelos umedecidos de suor, e comecei a me movimentar sobre ele, acelerando a cada segundo como se aquilo fosse natural pra mim. Logo ele estava gemendo de novo, assim como eu, e estava ficando quase impossível nos beijarmos. Nossos rostos se mantiveram próximos, intensificando a mistura quente de nossas respirações, até que atingi o clímax novamente, sendo seguida por ele. 

Deixei que meu tronco se apoiasse sobre o dele, sem conseguir definir qual dos dois estava mais ofegante. Minhas mãos deslizaram de seus cabelos para seus ombros, enquanto as dele ainda eram incapazes de largar meus quadris. Afundei meu rosto na curva de seu pescoço, deixando que o perfume dele me acalmasse, e após alguns segundos, senti seus braços envolverem minha cintura e me aconchegarem ainda mais em seu peito. Fechei os olhos, abraçando-o pela cintura também, e pude ouvi-lo rir de leve. Ainda tensa demais para perguntar qual era a graça, apenas ignorei seu riso, e como se tivesse lido minha mente, ele sussurrou, com o pouco de ar que lhe restava: 
- Por favor, prometa que vai continuar me surpreendendo com essas suas chaves de coxa... Porque sinceramente... Fica cada vez melhor. 

Mesmo sem ar, eu não tive como evitar que a risada baixa dele me contagiasse. Assim como, por mais que eu tentasse fugir ou negar, tudo nele me contagiava quando estávamos juntos. 

Aos poucos, minha respiração ia voltando ao normal (não totalmente, porque com ele perto de mim, era inútil conseguir respirar direito) e a tremedeira de minhas mãos ia passando. Luan esperou calmamente, acariciando desde meus ombros até meus quadris, fazendo uma massagem gostosa conforme deslizava as palmas de suas mãos e vez ou outra dedilhava minha pele devagar. Seu coração batia forte contra meu peito, apesar da respiração calma, o que parecia acelerar ainda mais as batidas do meu. 
- Está sentindo isso? - finalmente sussurrei contra a pele de seu pescoço, com os olhos fechados. Deslizei minha mão esquerda até seu peito, indicando a que me referia, e o ritmo acelerado de seus batimentos pareceu se intensificar sob meu toque suave. 
- Desde a primeira vez que pus meus olhos em você. - ele murmurou, imitando meu gesto com sua mão esquerda. - Você também está sentindo isso? 

Me afastei dele para poder olhá-lo, e assenti inocentemente, vendo um sorriso se alargar em seu rosto. Logo depois, deixei que meu olhar mergulhasse em seus olhos , como sempre acontecia, e franzi a testa de leve, em sinal de confusão. 
- O que foi? - ele perguntou, novamente imitando minha expressão, porém sem se desfazer de seu sorriso. 
- O que é isso? - balbuciei, sem conseguir formular direito as frases que colidiam em minha mente - Isso que eu tô sentindo... Que nós estamos sentindo... O que é? 
Luan acariciou meu rosto com as costas de sua outra mão, me olhando daquele jeito intrigado e deslumbrado ao mesmo tempo, e levou alguns segundos para responder: 
- Você sabe muito bem. 
Meus olhos se fixaram em seus lábios quando ele falou, observando o quão lindos, apesar de serem apenas lábios como os de qualquer outra pessoa, eles eram. Sem que eu pudesse controlar aquele impulso, minha mão subiu lentamente até meus dedos conseguirem tocá-los, e assim que o fiz, dedilhei-os de leve, desenhando seu formato e sentindo sua textura macia. A expressão confusa em meu rosto permaneceu, refletindo o que eu sentia por dentro, e devido a isso, os lábios que eu sentia sob os nós de meus dedos deixaram de sorrir. 

- Não sei se vou conseguir. - confessei, com o meu olhar indo da sua boca para os seus olhos. Vesgos e intensos. 
- Você vai. - murmurou. 
- É muito anormal pra mim. Não sou capaz. 
- Depois disso, Tanara, você definitivamente não pode voltar a trás. Confia em mim, nós vamos conseguir. - sorriu pequeno, me passando realmente confiança. Ele não tinha o direito de me deixar dessa forma!
- Não me julgue, por favor.
- Jamais, menina. Eu te compreendo, eu vou te esperar. - me causou um sorriso e como se isso fosse um incentivo, ele foi aproximando nossos lábios até eles se selarem. Permiti que se intensificasse e começamos mais um beijo, porém mais calmo e doce.
- Insaciável. - sussurrei entre o beijo, já decifrando no que aquilo estava se tornando. 
- Efeito seu. - respondeu da mesma forma, mordendo meu lábio inferior. - Sei onde pode ser melhor. - disse sapeca, pondo força nas mãos e carregando-me para o banco de trás. Nos confortou ali e eu senti meu corpo inteiro formigar com a proximidade dele; deixei que ele me beijasse, apesar de ainda sentir meus lábios sensíveis. O peso de seu corpo sobre o meu acelerava meu coração de um jeito indescritível, assim como suas mãos determinadas em minha cintura pareciam ter sido feitas para estarem ali. Envolvi seus ombros com minhas mãos, passando meus braços por seu pescoço logo depois e aprofundando o beijo. Luan apertou minha cintura com mais força, sorrindo, e eu também sorri, enroscando meus dedos em seus cabelos e puxando-os pra trás. Ele deixou que meu puxão afastasse sua cabeça, mordendo meu lábio inferior enquanto a distância aumentava. Senti uma leve dor na região quando ele voltou a me beijar, mas nem liguei pra isso, até que um gosto fraco de sangue começou a se manifestar. Logicamente, ele também sentiu, já que partiu o beijo com a testa franzida e lançou um olhar levemente preocupado para meus lábios. 
- O que houve? - ofeguei, encarando-o com o mesmo olhar, e ele ergueu as sobrancelhas num tom surpreso. 
- Acho que exagerei um pouco por aqui - ele sussurrou, sorrindo de um jeito quase envergonhado - Hum... Vamos dar um jeito nisso. 

Luan voltou a aproximar nossos lábios, sorrindo agora de um jeito sedutor, e sugou meu lábio inferior devagar, fazendo a dor aumentar um pouco, mas logo cessar quase que completamente. A ponta de sua língua deslizava sobre meu pequeno ferimento, como se quisesse estancar o sangramento. 
- Só não pense que eu vou pedir desculpas. - ele sorriu daquele seu jeito cafajeste, afastando-se novamente para olhar como estava a situação do corte que ele mesmo havia feito - Porque eu não vou. 
- Tudo bem. - eu murmurei, posicionando minhas mãos em sua região lombar, fincando o pouco de unhas irregulares que me restava ali e subindo com elas por toda a extensão de suas costas, até alcançar seus ombros - Eu também não. 
Sem conseguir conter um sorriso ao ver a expressão de dor e prazer dele, ergui um pouco minha cabeça para poder beijá-lo, voltando a deslizar minhas unhas por sua pele. Luan desceu seus beijos por todo o meu colo, fazendo minha respiração quase parar tamanho foi o seu capricho, e segurou meus seios com firmeza, aproveitando-se da posição favorável na qual se encontrava. 
- Até que enfim tenho tempo suficiente pra dar a devida atenção a essa parte. Eles foram feitos pra mim. Já te falei, não é?! - ele suspirou, olhando para meu busto com uma expressão desejosa, e eu soltei um risinho, agarrando seus cabelos. Ele sugou-os, fazendo movimentos circulares com a ponta da língua, e eu arqueei minhas costas para cima, sentindo o tesão se acumular em cada pedaço de mim. Sua respiração quente batia em minha pele, e ele gemia baixo de olhos fechados, concentrado em extrair o máximo de prazer daquele momento. 
Satisfeito, ele continuou seu caminho até minha barriga, e só parou quando alcançou minha intimidade. Luan me lançou um olhar quase selvagem de tão reluzente quando me tocou com sua língua, e eu imediatamente senti uma onda de calor percorrer minha espinha. Seus movimentos eram quentes e precisos, porém não tinham a menor pressa e brutalidade. Me apoiei em meus cotovelos, quase rebolando devido aos movimentos involuntários de meus músculos contraídos de prazer, e joguei a cabeça pra trás, de olhos fechados para poder senti-lo melhor. A cada segundo, ele intensificava suas carícias, me fazendo gemer cada vez mais alto até chegar ao ponto máximo. Contive um grito, mordendo sem querer a região machucada de meu lábio e me esforçando ainda mais pra não berrar, dessa vez também de dor. 
Ele terminou seu serviço e distribuiu beijos lânguidos pelo interior de minhas coxas, acariciando-as com suas mãos, e eu não conseguia me mexer, anestesiada pelos toques dele. Luan me olhou, afastando seus lábios de minhas pernas, e eu nem esperei que ele voltasse. Ergui meu tronco depressa e praticamente o ataquei, beijando-o com fúria. Ele se sentou, apoiando-se na porta atrás de si, enquanto eu me inclinava cada vez mais sobre ele. Passei minhas mãos por seus ombros e abdômen, parando em seus quadris e dedilhando suas entradas deliciosas. Ele segurava firmemente em minha cintura, correspondendo com muito mais do que avidez ao beijo, e eu segurei sua ereção com uma mão, sentindo-a mais enrijecida do que nunca. Parti o beijo contra a vontade dele e embrenhei meus dedos da mão livre nos cabelos de sua testa, levando-os para trás e fazendo-o jogar a cabeça na mesma direção, totalmente submisso. Sorri maliciosamente, mesmo sem ser vista, e passei rapidamente o dedo indicador da mesma mão por seu tronco, parando quando atingi seu umbigo e simultaneamente começando a masturbá-lo. Ele agarrou minhas coxas e jogou a cabeça para a frente, observando os movimentos rápidos de minha mão. Seus músculos se contraíam visivelmente, e as veias de seus braços estavam saltadas, o que só me deixava ainda mais louca. Tudo nele parecia me atiçar, me convidar, me atrair. Passei a língua devagar por sua glande, fazendo pressão contra ela, e ele gemeu alto, dolorosamente excitado. Repeti esse ato algumas vezes, tendo a mesma reação dele, até que seus dedos se fecharam ao redor de meus braços, e antes que eu me desse conta, eu já estava deitada e com ele sobre mim, prestes a me penetrar. 
- A camisinha, Luan! - exclamei, com os olhos arregalados de pânico, e ele imediatamente paralisou, retribuindo meu olhar de um jeito tão ensandecido que me fez pensar no que eu tinha feito pra deixá-lo tão fora de si. Sempre esquecíamos da camisinha, mas dessa vez tinha que ser diferente; não podíamos abusar da sorte. Luan voou até sua calça, e poucos segundos depois já estava de volta, devidamente protegido. Soltei um rápido suspiro aliviado, fechando os olhos por um momento, e percebi que dessa vez ele hesitou antes de ir direto ao ponto. Olhei-o em dúvida, e logo percebi o que estava errado. 
- É assim que você quer? - pude ouvi-lo arfar, com a testa fortemente franzida em sinal de máximo autocontrole, e eu involuntariamente sorri, quase comovida. Só mesmo na hora do sexo para Luan ser gentil comigo e me perguntar se eu queria ficar por baixo. Envolvi seu pescoço com meus braços e aproximei minha boca de seu ouvido, sussurrando logo em seguida: 
- Me mostre do que você é capaz. 
Senti um jato forte de ar sair de seus pulmões e atingir meu pescoço em cheio, demonstrando sua rendição e me arrepiando da cabeça aos pés. Imediatamente, ele investiu, com uma força extraordinária, e eu por pouco arranquei mechas de seu cabelo, tamanha foi a força coma qual eu o agarrei. Podia senti-lo profundamente dentro de mim, sentia seu corpo quente estremecer rente ao meu, sua voz rouca gemer ao pé do meu ouvido, e a cada vez que ele se movimentava, eu sentia meu coração quase sair pela boca de tão rápido que batia. Envolvi seus quadris com minhas pernas, puxando-o pra mais perto ainda, sendo que ele já estava prestes a me rasgar por dentro, e Luan afundou seu rosto em meu pescoço, mantendo seus lábios selados contra a minha pele na tentativa de abafar seus gemidos. Minhas mãos nunca estiveram tão indecisas como estavam naquele momento, percorrendo toda a extensão entre seus ombros e suas costas. 
- Merda! - ele xingou algum tempo depois, quase que num grunhido, e em seguida, chegou ao clímax. Luan investiu mais algumas vezes em vão, soltando urros de raiva por não conseguir prolongar aquele momento, até finalmente relaxar e deixar-se cair sobre mim, respirando com dificuldade. Eu apenas encarava o teto do carro, tentando absorver o turbilhão de prazer que ele havia desencadeado em mim, extremamente impressionada. 
- Me desculpe. - ele sussurrou, interpretando mal minha breve paralisia, e eu imediatamente franzi a testa, horrorizada - Mas é que... Você me provoca demais, e... Eu não aguento por muito tempo. 
Tudo que consegui fazer foi rir, apesar da falta de ar, e ele se afastou para me olhar, com a expressão confusa. Será que excesso de orgasmos podia causar demência? 
- Eu te desculpo por ter salvado a minha vida. - eu expliquei, após algum tempo de riso. - Se você tivesse continuado, era bem capaz de ter me matado.

Luan soltou um risinho aliviado, fechando os olhos de um jeito exausto, e eu continuei observando-o. Difícil resistir a uma beleza tão gritante e espontânea como a dele... 
Ele se levantou, tomando as devidas providências em relação ao preservativo, e vestiu sua boxer, enquanto eu colocava minha camisola e minha calcinha. Assim que o fiz, ele me puxou para si, deitando-me sobre seu peito no banco de trás, e me abraçou. O contraste entre sua respiração, já calma sob minha mão, e seu coração, levemente acelerado sob meu ouvido, estranhamente me tranquilizou, fazendo com que minhas pálpebras pesassem cada vez mais. 
- Pode dormir se quiser. - ele sussurrou contra meus cabelos, notando minha moleza sobre ele. - Te acordo quando começar a amanhecer, já que vou ficar acordado de qualquer maneira. 
- Por que não vai dormir? - sussurrei com esforço devido ao cansaço, acariciando timidamente sua pele com meus dedos. 
- Não vou conseguir. - ele respondeu com um risinho discreto - Não depois de tudo isso... Ainda há muito para eu observar aqui. 
Meu estômago revirou, me causando uma sensação inquietante pelas palavras dele, mas eu estava cansada demais para responder. Tudo que fiz foi sorrir de leve e deixar que o sono me ganhasse após um último suspiro. 

                             ...

- Tatá? 
Senti uma mão acariciar desde meu ombro até meu pulso devagar, e abri os olhos com a mesma velocidade, acostumando minhas pupilas à pouca claridade do ambiente. 
- Hum? - respondi, espreguiçando-me um pouco e abrindo os olhos de vez. A pele de Luan, que havia servido de travesseiro para mim durante as últimas horas de sono, ocupavam metade de minha visão, enquanto a outra metade era preenchida pelo interior do carro e pelos trechos do céu que os vidros me permitiam ver. Já estava começando a amanhecer. 
- Acho melhor você voltar pra sua cama. - a mesma voz suave e rouca voltou a falar, enquanto seu dono me fazia um leve cafuné - E eu, pra minha. 

Suspirei preguiçosamente, sentindo seu perfume invadir meus pulmões, e por um segundo, o impulso de continuar ali com ele quase foi mais forte que a vontade de voltar para casa. Saí do seu colo um pouco envergonhada e ele riu de mim, indo para a direção. 

- Vou te deixar na entrada. Não se preocupe, acho não tem ninguém acordado para poder me ver. - se explicou, dando partida enquanto eu ajeitava meu cabelo, atordoada. 

Como disse, parou na frente do condomínio.

- Bom... tchau. - sorri sem graça, fazendo-o virar a cabeça para me olhar. 
- Espera. - disse doce, com um sorriso lindo. - Quando eu posso te ver de novo?
- Você sabe onde me encontrar. - sorri de lado e ele sorriu ainda melhor. 
- Vem cá. - pôs as mãos no meu rosto e levou-o até o seu, causando um selinho demorado. - Adorei vigiar seu sono. - riu, após nos afastarmos.
- Com certeza eu estava linda. - falei com sacarmo e ele negou, sem fechar o sorriso.
- Você é linda. 
- Deixa eu ir, vai. - beijei seu rosto e antes de sair, o ouvi sussurrar: 

- Bom dia, Pikitinha! - olhei para trás rindo, me afastando contra a minha vontade. Era preciso, infelizmente. Eu sou errada. Sou errada em fazer o que fiz, em ficar feliz depois disso e para piorar minha situação, ainda quero continuar no ato errado. 



Feliz ano novo, meus amores! Mais um ano com vocês, amizade longa a nossa hein... Obrigada por todas as coisas lindas que vocês disseram e toda a torcida, deu tudo certo. A virada foi ótima, ele estava lindo. Não consegui vê-lo, mas isso não tira minha felicidade. Primeiro capitulo do ano, do jeitinho que vocês gostam! Mas claro: Élito, por favor, Élito! Comentem vai? Eu tô sozinha aqui, Élito. Ajude essa pobre escritora, Élito. 
 
HAHAHAHAHAHAHA

Melhor vídeo da vida! O 9 só vai depender do comentário de vocês para sair. Impulsa muito hein? PARÔ, esqueci de uma coisa: Lua meu amor, obrigada por dar ideias pra esse capítulo. Tentei por suas dicas, deu certo? Neném! HAHAHA  ✨ Beijos e bye...